
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta terça (25) que as alegações de que ele teria liderado a suposta tentativa de golpe de Estado não se sustentam se levar em consideração que ele próprio autorizou a transição de poder nas Forças Armadas ainda em dezembro, após as eleições de 2022.
A justificativa foi dada durante a primeira sessão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) para o recebimento da denúncia do chamado “núcleo crucial” do inquérito, envolvendo Bolsonaro e mais sete aliados.
“Enquanto a Polícia Federal fala em possivelmente, enquanto a denúncia traz conjecturas, como a impressão de documento no Palácio que teria tido conhecimento dele, o fato concreto é que o acusado de liderar uma organização criminosa para dar golpe socorreu o ministro da Defesa nomeado pelo presidente Lula que o comando militar não atendia”, disse o advogado Celso Vilardi durante a apresentação da defesa.
Vilardi lembrou de uma declaração dada por Múcio de que procurou Bolsonaro para abrir um canal de diálogo com o comando das Forças Armadas ainda durante a transição de governo, no final de 2022, e estabelecer uma relação a partir de 2023.
“Foi o presidente que determinou a transição, que atendessem o ministro da Defesa que assumiria e 1º de janeiro. Não é possível que se queira dizer que é compatível com uma tentativa de golpe, com o uso do comando militar quando o presidente da República autoriza a transmissão do poder militar no começo de dezembro”, ressaltou.
Ainda durante a apresentação da defesa, Vilardi ressaltou que nem mesmo a delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid faz qualquer relação entre Bolsonaro e a suposta tentativa de golpe que culminou com os atos de 8 de janeiro de 2023. Para ele, “não há um único elemento” e “não há uma única evidência a esse respeito”.
Ele ainda questionou a validade da delação após Cid ter quase perdido o benefício ao fazer um desabafo publicado na revista Veja de que poderia ter sido coagido a aceitar uma narrativa do suposto golpe.